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Por Paola Deodoro

Nas últimas temporadas, as combinações de estilo sugeridas pelos fashionistas chineses têm sido as mais inspiradoras, e estilistas, editores, designers e criadores em geral não querem deixar escapar toda essa matéria-prima que desfila pelas ruas de Pequim, Xangai e Hong Kong.

É a partir desse intercâmbio que a moda se renova, reforçando a ideia de que os profissionais da área dividem suas atenções entre as passarelas e o ambiente urbano com a mesma intensidade. A habilidade pessoal em criar novas combinações de roupas a partir de tendências já conhecidas abre um novo e gigantesco horizonte de possibilidades, gerando ainda mais material criativo para essa indústria que vive de referências.

As contribuições do Extremo Oriente para a moda global são importantes por serem fruto de um cenário diverso. A relação da China com a moda convive atualmente com diferentes manifestações econômicas, culturais e de comportamento, tornando o mix que sai do guarda-roupa dos chineses ainda mais inusitado. Os apaixonados por moda vivem um momento singular no país, coroado pelo acesso facilitado à informação de qualidade. E ainda somam-se a essa equação o bom gosto, a curiosidade pelo novo e a habilidade em se inspirar em suas próprias referências tradicionais.

Para entendermos melhor essa linha do tempo, vale lembrar que revistas especializadas e reconhecidas como Vogue (de 1892) e Harper’s Bazaar (de 1867) ganharam suas versões chinesas apenas em 2005. E foi a partir daí que o interesse da imprensa internacional aumentou, reconhecendo o país como polo de criação e influência – e não apenas um nicho de (re)produção. Tanto que em 2015, o badalado MET Ball, de Nova Iorque – e a exposição que abre após o baile e define o perfil do ano do museu – apresentou o tema “China: Through the Looking Glass”. A ideia era reverenciar a história do país e sua relação com o mercado da moda. Mas o resultado de tantos holofotes foi um olhar curioso do mundo inteiro sobre o que a China veste hoje, com uma intenção muito mais contemporânea.

É claro que esse universo inspirador e trendsetter não atravessaria o mapa-múndi tão facilmente se não fosse a internet. São os influenciadores digitais os responsáveis por mostrar ao mundo o estilo chinês de vestir. Bloggers, youtubers e street style stars exibem um bom closet e uma habilidade acima da média em criar produções superestilosas nas principais redes sociais digitais. Para o Ocidente, as referências chegam com mais força pelo Instagram. Mas são as plataformas como Weibo e WeChat, muito utilizadas na China, que transformam esses exemplos de estilo em verdadeiras estrelas. Conheça aqui algumas delas:

Leaf Greener

Durante o calendário de moda internacional, Leaf Greener, que nasceu em Pequim e mora atualmente em Xangai, é uma das mais fotografadas na entrada dos desfiles. Ex-editora da Elle e da Vogue na China, hoje tem sua própria revista digital no WeChat, a LEAF. Do seu closet surgem sempre looks assimétricos misturando curtos e longos, golas geométricas e tops de um ombro só.

Instagram: @leaf_greener

Tina Leung

Responsável por montar os visuais de tapete vermelho de muita gente famosa na China, como Yun Jin Kim, estrela do seriado Lost, e da atriz e cantora Karen Mok, Tina Leung vive entre Nova Iorque e Hong Kong. Em seus próprios outfits, a personal stylist tem o poder de encontrar o meio-termo entre o delicado e o sexy. Também é craque em atualizar algumas referências da vestimenta tradicional chinesa, como amarrações estratégicas e mangas amplas e volumosas.

Instagram: @tinaleung

Li Hui

A ex-editora da Harper’s Bazaar China tem um dos guarda-roupas mais invejados do país. Fã confessa de Chanel, Dolce & Gabbana e Gucci, a stylist cria produções elegantes e contemporâneas. Adora quebrar o visual monocromático com um acessório bem colorido. Também investe em calças amplas que contrastam com tops ajustados e de corte perfeito.

Instagram: @lihuihui616

Becky Li

Nascida na província de Fujian com o nome de Fang Yimin, ela já foi repórter de política e de cinema. Em 2014 lançou o canal Becky’s Fantasy no WeChat, em que dividia sua rotina com os seguidores, e seu visual ficou famoso imediatamente. Tanto que em 2015 foi eleita pela mídia chinesa como o Perfil Público Mais influenciador do WeChat, e atualmente é a quarta fashion blogger mais popular do Weibo. Em seus posts, mostra looks despretensiosos e cheios de informação. Mistura peças românticas com a estrutura da alfaiataria e faz sucesso com os microcomprimentos.

Instagram: @beckys_fantasy

Linda Li

Sua principal função é como apresentadora de TV. Mas Linda Li é facilmente vista como garota-propaganda de diversas campanhas e como hostess de grandes eventos de moda. Surpreende sempre com as produções que posta em suas redes sociais e atualiza peças clássicas como mantôs e calças de alfaiataria com bons jogos de sobreposição ou com cores intensas e tons metalizados.

Instagram: @lindalijing